
Depois de ter lido em algures pela blogosfera que não “existe normalidade mas sim um padrão de regularidade” levou-me a pensar sobre o assunto e depois de ontem ter visto o Fur com a Nicole Kidman acho que fiquei mais confuso ainda… O que será o normal? Será aquilo que se está habituado a ver? E tudo o que fôr fora desse padrão deixa de o ser?...
Este filme, Fur- Um retrato imaginável de Diane Airbus é o expoente actual da convivência com a anormalidade. Não conhecia a fotografa, conhecia alguns trabalhos dela, mas longe de mim pensar as teias de relacionamento que conduzem a uma estranha forma de arte. È um retrato imaginável mas que se cruza, certamente, com aspectos reais da sua vida. Mas paira a duvida: o que foi real e o que é ficcionado? Gera, igualmente a duvida: o que é normal e o que é anormal? Normal é o que está dentro da norma…e o anormal, certamente, será o que está fora da norma…mas será que a vida é tão linear assim? Será que existe um véu que separa o normal do anormal? Ou será uma muralha da China?...eu sou normal…eu acho…alias, tenho a certeza. Mas será que serei normal face às regras e padrões de uma sociedade homofóbica, por exemplo?
Diane Airbus, mulher proveniente de uma aristocracia norte americana, casada, a exemplar esposa submissa do marido que vem a descobrir um submundo de marginais, de estranhos, de aberrações, de tudo o que não é normal. Apaixona-se por um “anormal” e os dois desenvolvem uma estranha poesia de amor. Dois mundos opostos tocam-se eliminando a barreira da normalidade…lindo!
– certamente é um filme que não irá agradar a todos, pela sua anormalidade…..
Mas o que será a normalidade? E será que existem vários tipos de normalidade? Por exemplo: A Normalidade convencional, que segundo alguns os autores, é a normalidade a priori, pré-determinada, fixa, estabelecida e concertada. É a normalidade "decretada” pelas leis, pelos costumes, pela ética ou por quem disponha de poder para decretar normalidades. Os limites da normalidade convencional são variáveis, segundo sociedades, culturas ou épocas… na Grécia antiga existiam hábitos normais que nos dias de hoje são altamente condenáveis…poratnto, deixou de ser normal!
E depois há a Normalidade estatística, que é sem dúvida a mais cómoda. Desde que se atinja o 66 % de uma população, já se considera a normalidade.
Ao sujeito as normas proporcionam protecção, segurança e acolhimento, e à sociedade estrutura enquadramento, limites, linhas de orientação para o comportamento, postura e valores. Tanto o comportamento próprio como o dos outros encontram-se regulamentados previamente estabelecidos, sendo portanto calculáveis, avaliáveis e previsíveis.
Mas atenção, as normas da normalidade também têm a sua utilidade, permitem poupar esforços de adaptação em cada nova situação.
Portanto, onde começará a anormalidade?